Notícias

Slipknot: O que aconteceu nos bastidores de ‘Iowa’ há 25 anos

Por Wiki Metal 28/08/2026
CompartilharfXWATG
Slipknot: O que aconteceu nos bastidores de ‘Iowa’ há 25 anos


Capa do álbum 'Iowa' do Slipknot

Lançado em 28 de agosto de 2001, Iowa completa 25 anos como um dos discos mais extremos da carreira do Slipknot. O segundo álbum da banda levou ao limite a sonoridade apresentada no trabalho de estreia e transformou o caos vivido pelos integrantes em música. Se no self-titled a banda entrou na moda do nu-metal com samplers e frases de rap-metal, com Iowa trouxeram uma sonoridade mais death metal, recheada de riff e blast beat.

O sucesso do primeiro disco havia colocado o Slipknot no centro do metal mundial. A pressão, porém, não aproximou os nove integrantes. Pelo contrário, o período que antecedeu Iowa foi marcado por desgaste, excesso de festas, drogas, conflitos internos e problemas pessoais.

Apesar do cenário conturbado, a banda decidiu seguir em frente. O resultado foi Iowa, disco que se tornou um marco na história do Slipknot e é lembrado até hoje pela intensidade sonora e pelo clima sombrio de suas composições.

Slipknot quase chegou após IOWA

Antes de lançar Iowa, o Slipknot esteve próximo de chegar ao fim. O produtor Ross Robinson, responsável pelo álbum, contou que a banda enfrentava uma crise interna quando iniciou o processo de gravação. Em uma entrevista inédita para a Metal Hammer, em setembro passado, Robinson disse que os integrantes já falavam abertamente sobre uma separação. Na época, alguns já dedicavam parte do tempo a projetos paralelos, como o Stone Sourde Corey Taylor.

“Recebi uma reclamação doPaul [Gray, baixista] ou talvez do Joey [Jordison, baterista] em algum momento antes de gravarmos, dizendo algo como: ‘A gente não está se entendendo. Vamos nos separar. Então, fui até eles. O Corey [Taylor, vocalista] me levou para conhecer algumas coisas do Stone Sour. Foi tipo: ‘Hum, isso é legal… mas não é Slipknot”, relembrou ele.

Robinson explicou que o sucesso explosivo do álbum de estreia, lançado em 1999, mudou completamente a rotina dos músicos. A fama, a pressão da indústria e as mudanças na vida pessoal criaram um ambiente de tensão entre os integrantes.

Em entrevista à Louder, Corey Taylor detalhou como estava o clima da banda na época do álbum: “Quase morremos. Foi nessa época que começamos a beber e usar drogas. Eu bebia como um peixe. Foi horrível, uma época assustadora para estar no Slipknot, porque ignorávamos para nada, e não no bom sentido. Não nos importávamos se as pessoas nos odiavam ou nos amavam. Estávamos cansados ​​e nos odiávamos. Ninguém estava feliz; todos apontavam o dedo uns para os outros. Algumas pessoas começaram a ficar um pouco egocêntricas, e isso era realmente assustador. Eu achei que tinha acabado. Achei que o Iowa seria o último álbum. Para ser honesto, já tínhamos conversado sobre isso. Tínhamos conversado sobre fazer um álbum só e mandar todo mundo se foder, porque isso teria sido puro demais.”

O processo de gravação conturbado

As sessões aconteceram em Los Angeles, no Sound City Studios, e deram origem a faixas como “People = Shit”, “Left Behind” e “Iowa”. A tensão fazia parte do processo. Corey Taylor já descreveu aquele período como um dos momentos mais sombrios de sua vida.

A faixa-título, “Iowa”, encerra o álbum com duração de 15 minutos, em um dos momentos mais perturbadores da carreira do Slipknot. Com uma atmosfera sufocante e tensão crescente, a música exigia de Corey Taylor uma entrega vocal à altura de sua intensidade. O vocalista, porém, teve dificuldade para encontrar o estado emocional necessário. A situação mudou durante as orientações do produtor Ross Robinson, que o levou a explorar sentimentos mais extremos e experiências pessoais para alcançar a interpretação que a música exigia.

Durante a gravação da faixa-título, o vocalista chegou a se machucar de propósito e provocar vômitos para alcançar o estado emocional que considerava necessário para a performance. “Ele me disse: ‘Quero que você vá a algum lugar onde tenha medo de ir. Algo a que nunca se permitiu antes’. Então eu me despi, fui para a grande sala do Sound City Studios e fiz aquela música em duas tomadas”, revelou Corey [via Far Out Magazine].

A produção também não foi convencional. Robinson pressionava os músicos para buscar performances mais viscerais. Em 2009, Shawn Crahan disse à Rocksound sobre o clima da gravação na época: “Gravar Iowa foi um inferno. Eu queria me matar. Tinha drogas, mulheres, rock ‘n’ roll, toda aquela merda. As pessoas esperavam muito de nós naquela época. ‘People = Shit’ era a nossa maneira de dizer: ‘Vão se foder e nos deixem em paz”.

Outras curiosidades sobre Iowa

Antes de chegar às lojas, Iowa quase recebeu outro nome. O Slipknot chegou a considerar “Nine Men, One Mission” para batizar o segundo álbum, mas acabou escolhendo Iowa, em referência ao estado natal da banda.

A faixa intro “(515)” também nasceu de um momento de forte impacto emocional. Durante as gravações, Sid Wilson recebeu a notícia da morte do avô. Ross Robinson então o levou ao estúdio e registrou sua reação diante da perda. Os gritos de Wilson foram incorporados à faixa e receberam efeitos de distorção e eco, criando a atmosfera perturbadora que inicia o álbum. O título “(515)” faz referência ao código de área de Des Moines, em Iowa, estado natal do Slipknot e elemento recorrente na identidade da banda.

Outro episódio curioso envolve “The Heretic Anthem”. Antes do lançamento do disco, o Slipknot disponibilizou apenas 666 cópias da música, que ainda era chamada de “Heretic Song”. A quantidade fazia referência ao famoso verso “If you’re 555, then I’m 666”.

O álbum também ultrapassou os limites do metal. “My Plague” ganhou uma nova versão para a trilha sonora de Resident Evil, filme de 2002. No mesmo ano, o Slipknot apareceu no cinema interpretando “I Am Hated” no remake de Rollerball.Entre as faixas, “Left Behind” teve um dos maiores impactos comerciais. Escolhida como primeiro single, a música recebeu uma indicação ao Grammy de Melhor Performance de Metal.

O caos também atingiu quem estava atrás da mesa de produção. Ross Robinson sofreu uma fratura na coluna em um acidente de motocross durante as sessões, mas voltou ao estúdio e continuou trabalhando no álbum. A mixagem ficou novamente a cargo de Andy Wallace, que havia trabalhado em Nevermind, do Nirvana, dez anos antes.

Até a capa guarda uma história própria. A cabra fotografada por Shawn “Clown” Crahan recebeu o nome de Eeyore. O animal foi registrado durante o mesmo período de sessões fotográficas relacionado à identidade visual do primeiro disco.

Quando chegou às lojas, Iowa mostrou que uma banda tão extrema também poderia alcançar números expressivos. O álbum consolidou o Slipknot entre os grandes nomes do metal e transformou sua combinação de peso, caos e identidade visual em um fenômeno comercial.

LEIA TAMBÉM: Jay Weinberg, ex-Slipknot, não tinha autorização para tocar com outros artistas



Via: WikiMetal