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O álbum do Slayer lançado no dia do atentado às Torres Gêmeas de Nova York

Em 11 de setembro de 2001, Slayer lançou seu nono álbum de estúdio, God Hates Us All . Após o misto sucesso comercial de Diabolus in Musica (1998), que ficou marcado pela experimentação e aproximação com o nu metal, o quarteto decidiu voltar ao thrash metal e resgatar a sua marca

Por WikiMetal 11/09/2026
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O álbum do Slayer lançado no dia do atentado às Torres Gêmeas de Nova York

Em 11 de setembro de 2001, Slayer lançou seu nono álbum de estúdio, God Hates Us All. Após o misto sucesso comercial de Diabolus in Musica (1998), que ficou marcado pela experimentação e aproximação com o nu metal, o quarteto decidiu voltar ao thrash metal e resgatar a sua marca registrada: a agressividade. 

Com a maioria das letras escritas pelo guitarrista Kerry King, o trabalho resgatou a característica da banda e entregou faixas que logo se tornaram hits, como”Disciple”. Contudo, o lançamento ficou para sempre marcado na história por uma triste coincidência: os ataques terroristas às Torres Gêmeas, em Nova York.

Devido a isso, o disco — que já tinha um título apocalíptico e letras falando sobre terrorismo, ódio e extremismo religioso — passou a ganhar um ainda mais sombrio e assustadoramente profético para a época. 

Turnê quase cancelada 

Naquele período, o grupo se preparava para sair em turnê pela Europa como a grande atração do festival itinerante Tattoo the Planet, e dividiria os palcos ao lado de nomes como Pantera, Static-X, Biohazard e Vision of Disorder. No entanto, com o espaço aéreo norte-americano fechado e o pânico instaurado após os ataques, e com receio de estarem em voos comerciais, praticamente todas as bandas estadunidenses optaram por abandonar a turnê por questões de segurança. 

Para honrar seus compromissos, o grupo decidiu contrariar os conselhos para evitar viagens comerciais e optou por manter a turnê de pé, na qual foram acompanhados exclusivamente em todos os shows pelo Cradle of Filth

Por outro lado, a turnê ficou marcada pelo fato de o baterista Paul Bostaph ter sofrido uma grave lesão no cotovelo, o que afetou sua habilidade em tocar o instrumento e fez com que ele optasse por deixar a banda, e Dave Lombardo retornasse ao posto posteriormente. 

Arte original censurada 

Inicialmente, o álbum sofreu atrasos devido à censura de sua arte original, que consistia em uma Bíblia cravada com pregos, manchada de sangue e com o logotipo da banda queimado sob a capa. 

Para que o disco pudesse ser vendido em grandes varejistas, a gravadora American Recordings precisou lançá-lo dentro de uma capa de papelão branca (um slipcase) apenas com cruzes douradas e o nome da banda, escondendo a arte real.

“Deus não odeia”

Para muitos, o baixista e vocalista Tom Araya, que é católico praticante, cantar o refrão “Deus odeia a todos nós” seria um desafio dada sua relação com a religião. No entanto, em entrevista feita na época do lançamento do disco, o músico chileno declarou que lidava muito bem com isso, separando sua fé de seu trabalho.

Tom afirmou que sabia que “Deus não odeia ninguém”, mas concordou em usar a frase pois gostou do título e sabia que isso chamaria a devida atenção que a banda queria. “Deus não odeia. Mas o título é bom pra caralho. Acho que vai irritar as pessoas que queremos atingir”, afirmou [transcrição via Sete Oitavas].

Primeira indicação ao Grammy

Embora tenha sido um dos trabalhos mais anti comerciais do Slayer até aquele momento, a fúria de God Hates Us All acabou chamando a atenção da grande indústria musical.

“Disciple” rendeu ao grupo a sua primeira indicação ao Grammy Awards, concorrendo na categoria de Melhor Performance de Metal. Mesmo sem ter vencido o prêmio naquele ano, o reconhecimento consolidou a música de como um dos maiores clássicos modernos do quarteto, tornando-se presença obrigatória nos setlists dos shows até os dias de hoje. 

Fechamento de ciclo com ‘Repentless’

Curiosamente, há um fio condutor que une God Hates Us All e Repentless, décimo segundo e último álbum de estúdio da carreira do grupo, lançado em 2015. Fechando um ciclo, a banda optou por lançar seu disco final propositalmente no dia 11 de setembro, exatos 14 anos após o fatídico lançamento de 2001.

Além dessa sincronia de datas, os dois trabalhos marcam capítulos complementares na trajetória de Paul Bostaph: se God Hates Us All marcou sua saída por lesão, Repentless marcou o seu retorno definitivo, assumindo as baquetas na difícil missão do grupo se reerguer após a trágica morte do guitarrista e fundador Jeff Hanneman, em 2013. 

25 anos após seu lançamento, God Hates Us All se consolidou como um dos discos mais importantes e viscerais de toda a discografia do Slayer. Embora a coincidência com o maior atentado terrorista da história deixe uma impressão sombria até hoje, O disco não apenas resgatou a agressividade característica do quarteto na virada do milênio, bem como reforçou ainda mais seu posto oficial de ser a trilha sonora definitiva para a enfrentar a raiva e o caos do mundo moderno. 

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Tags: Slayer
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Vitor Melo

Atual repórter do Wikimetal, estudante de Jornalismo e fã de metal, em especial Iron Maiden, banda que já viu 3 vezes, acompanha desde os 12 anos e sonha assistir um show em Londres. Sempre gostou de escrever e encontrou no jornalismo musical a sua vocação. Seus principais ídolos são Steve Harris, Adrian Smith e Ozzy Osbourne. [email protected]

Fonte: WikiMetal