Depois de anos de burburinho entre os fãs brasileiros, Ty Segall finalmente fará sua estreia no país em 15 de novembro. Inicialmente previsto para a Audio, o show foi transferido para o tradicional Cine Joia, novo endereço do encontro.
O show promove o lançamento de seu décimo oitavo álbum de estúdio, Chrome, gravado quase todo ao vivo, em apenas 33 minutos. A realização é da Associação Cultural Cecília, que vem movimentando o circuito independente com iniciativas voltadas a artistas historicamente associados às bases da cena alternativa e do rock independente. Tanto a Associação quanto o californiano somam duas décadas em atividade no cenário musical.
Entre elas, estão a vinda de Bikini Kill ao Brasil pela primeira vez e por promover a vinda de Toody Cole, figura histórica do punk rock e uma das referências associadas ao universo musical que influenciou nomes como Eddie Vedder e a efervescente cena de Seattle.
A noite ainda contará com bandas em ascensão da cena psicodélica paulista como Ema Stoned e Bike, que já abriram o show de petardos do subgênero como Brian Jonestown Massacre, além da discotecagem do projeto Supernovissíma, encabeçado por Nova Buttler, misturando linguagens artísticas em suas apresentações.
O alquimista frenético do fuzz
Diretamente de Laguna Beach, cidade que abrigou o acid rock de Blue Cheer e recebeu uma homenagem do Black Sabbath com a música “Laguna Sunrise”, o também produtor, hoje com 39 anos, tem uma discografia tão extensa que causa espanto: só com seu projeto solo já lançou 18 álbuns de estúdio, além de compilações e EP’s.
Também colaborou e se envolveu em supergrupos como o Broken Bat, fazendo jams infinitas com Dale Crover (Melvins, Nirvana) e Steven McDonald (Redd Kross, Melvins). Destacando os projetos paralelos com o Fuzz e o White Fence. Ty também gosta de dinamizar as suas apresentações ao vivo, não se limitando a executar as músicas como estão nos discos e tem costume de montar bandas de apoio para seu projeto solo, deixando tudo fluir de forma espontânea.
Seja pela incorporação de tantos elementos sonoros em sua obra ou até pelas suas excentricidades, Ty Segall ocupa um lugar demarcado no panteão da música alternativa, mesmo que em escala nichada e, provavelmente, uma página no Guinness Book intitulada ‘’Operários do Rock n’ Roll’, juntamente com o King Gizzard and The Lizard Wizard, lançando músicas em um ritmo vertiginoso e ininterrupto.
Segall não se limita a nada, nem por subgêneros e nem mesmo por formas tradicionais de se tocar instrumentos. Dê uma guitarra em suas mãos e o mundo vai começar a derreter em camadas dissonantes. O que aparece pela frente vira matéria prima para a construção – ou desconstrução – de seu som. A neo psicodelia se mistura com o proto punk de Detroit, o surf music com o folk, o noise com o indie, a progressão de acordes infinitas do progressivo a experimentação. Além de uma infinidade de pedais e sonoplastias inusitadas, como a de privadas quebrando. Ao invés de simplesmente ser uma cópia de suas influências, Segall as coloca em atrito, criando algo totalmente novo apesar de familiar.
São vários os interesses do norte-americano, indo desde seu amor explícito por seus animais de estimação até ao surfe, uma de suas primeiras paixões antes mesmo da música tomar toda a sua atenção. Em uma entrevista para a promoção do seu novo álbum, Chrome, ele revelou que nem todos os seus projetos vão para frente, mesmo com uma produção frenética, beirando a compulsão, de materiais novos. Um desses projetos foi uma tragicomédia em forma de musical que segue a trajetória de um palhaço. A empreitada tinha remetente: Tim Heidecker, que além de comediante, ainda se aventura no folk rock e já lançou 8 álbuns de estúdio.
Chrome, show no Brasil e o possível setlist
Foi no ano passado que alguns burburinhos sobre a vinda de Ty Segall começaram. Alguns fãs ficaram descrentes (‘’quem vai trazer?), já outros se mantiveram esperançosos para a estreia do artista no país. Desde os tempos juvenis com os Epsilons e fazendo parte ativamente da cena cultural californiana, o multi-instrumentista produziu materiais de forma incansável, com uma criatividade vulcânica e sempre com os pedais calibrados pelo fuzz mais agressivo. Nem um ano após soltar Possession no mundo, Segall voltou às suas raízes de uma forma mais agressiva, rápida, com o lançamento de Chrome, seu décimo oitavo disco de estúdio, além do EP complementar que traz a velha favorita “Love Fuzz”, do álbum Twins (2012) de forma repaginada, flertando com o doom metal.
Foi com grande entusiasmo que a cena alternativa paulistana recebeu a notícia que um show por aqui ia acontecer, inicialmente marcado para acontecer na Audio, mas que foi realocado para o Cine Joia. Em entrevista recente concedida a Rolling Stone Brasil, Segall revelou sua alegria e que desejava tocar em solo brasileiro desde seus 20 anos de idade, além de falar que adoraria ir a lojas de discos para aprofundar seu conhecimento de música brasileira. ‘’Uma coisa que eu realmente quero explorar é ir a lojas de discos e ouvir as pessoas dizendo: ‘Compre isso, compre aquilo, compre isso, compre aquilo’. Porque uma das melhores partes de fazer turnê é ir para um lugar novo e, com sorte, estar com alguém que diga: ‘Ok, vou te dizer o que comprar’’.
Em relação ao setlist, para além de músicas da nova empreitada, Ty Segall também tem algumas cartas na manga. Em um show na Grécia, por exemplo, tocou um cover de “Ziggy Stardust”, hino atemporal de David Bowie. Velhas favoritas também terão lugar, como ‘’Feel’’, ‘’My Lady’s On Fire’’, ‘’Thank God for Sinners’’ e muitas outras.
Os ingressos estão disponíveis pelo site da Ticket360, com a faixa de preço que varia entre R$220 (pista solidária, mediante a entrega de 1kg de alimento) e R$260 (pista).
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Fonte: WikiMetal
