De volta ao Brasil após 10 anos, mas desta vez como parte de sua carreira solo, Ronnie Wood realizou na noite do último domingo, 1º, a única apresentação da turnê Fearless no país, no Espaço Unimed, em São Paulo.
No auge de seus 79 anos de idade, Ronnie esbanja vitalidade, carisma, um conjunto de guitarras que dá inveja a qualquer músico. Interagindo bastante, o guitarrista recebeu forte ovação da plateia logo no início da performance com coros de “Ole, Ole, Ole” acompanhados por seu nome.
Visivelmente feliz por estar em terras brasileiras após uma década, o músico britânico cativou o público por solos fortemente inspirados por suas raízes vindas do blues e pela forte habilidade de improvisação em momentos do show feitos justamente para esse fim. Além da guitarra, Ron também tocou gaita e realizou uma das técnicas mais interessantes e únicas do estilo com a presença do slide.
Mostrando que sua apresentação não se limita apenas a um guitarrista tocando, Wood também canta, com uma voz rústica e rouca, extremamente parecida com a estética vocal do garage-rock e do rock clássico britânico dos anos 1970.
Ao longo de 21 músicas, o repertório passou por faixas de muitos dos principais nomes com quem Ronnie já colaborou em sua carreira, como “It’s Only Rock ‘n’ Roll (but I Like It)”, “Country Honk” e “Can’t You Hear Me Knocking”, hits da era Mick Taylor, seu antecessor nos Rolling Stones.
Além do material de sua atual banda, o músico britânico também fez covers de muitas das suas principais inspirações, das quais destacam-se o cantor Bob Dylan e os lendários músicos de blues Jimmy Reed, Willie Dixon, Doctor Ross e Johnny Winter.
Banda importante na trajetória de Ronnie Wood e notória por ter Rod Stewart como vocalista, o Faces também esteve presente no repertório do artista com dois de seus principais sucessos: “Flying” e “Ooh La La”, faixa esta que contou com um dos melhores coros da noite vindos por parte dos fãs.
Fora Ronnie, sua banda de apoio, a Ammo Band, também conta com dois músicos de renome: o baixista Willie Weeks, que gravou o primeiro álbum solo do guitarrista, I’ve Got My Own Album To Do (1974), e o lendário baterista Andy Newmark, parceiro de longa data de Ronnie desde os anos 1970 e conhecido por fazer parte do Sly and the Family Stone, grupo norte-americano reconhecido por seu papel primordial no desenvolvimento da música soul, do funk e da psicodelia.
No entanto, um dos principais charmes do show fica, sem dúvidas, para Imelda May, dado o fato de que ao longo da apresentação, a aclamada cantora irlandesa encantou o público com toda a sua elegância. carisma, sensualidade e um poderoso alcance vocal de tirar o fôlego, chamando a atenção em momentos como o cover de “Remember (Walking in the Sand)”, do famoso quarteto feminino The Shangri-Las.
Além de Imelda, a backing vocal Chanel Haynes também conta com vocais afiados, cumpre sua função perfeitamente bem, assim como teve dois momentos para chamar de seus, quando cantou o hit “Chain of Fools” da icônica Aretha Franklin e realizou sua versão do clássico “River Deep, Mountain High”, de Ike & Tina Turner.
Em seus 60 anos de carreira, Ronnie Wood prova que não depende exclusivamente de hits para fazer um bom show. Mesclando entre rock, blues, funk, soul e reggae, e principalmente tendo muito groove, o guitarrista britânico chegou a um ponto em sua carreira no qual ele se autointitula “destemido” é muito mais do que uma mera atitude de rockstars lendários.
Tudo isso é, na verdade, uma soma de frutos colhidos ao longo de sua jornada musical até chegar ao ponto dos dias de hoje: ser um dos maiores guitarristas da história do rock.
Confira as fotos de nossa fotógrafa Jéssica Marinho:
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Fonte: WikiMetal


































