Notícias

Opeth diz que shows no Brasil serão os últimos no país por “um longo tempo”

Grande nome do metal progressivo, Opeth retorna ao Brasil após 1 ano para realizar dois shows da The Last Will and Testament Tour no país em novembro. O quinteto sueco se apresenta em Curitiba (05) e São Paulo (06) – ingressos seguem à venda no site da Bilheteria Digital e na Eve

Por WikiMetal 4 horas atrás
Compartilhar
Opeth diz que shows no Brasil serão os últimos no país por “um longo tempo”

Grande nome do metal progressivo, Opeth retorna ao Brasil após 1 ano para realizar dois shows da The Last Will and Testament Tour no país em novembro. O quinteto sueco se apresenta em Curitiba (05) e São Paulo (06) – ingressos seguem à venda no site da Bilheteria Digital e na Eventim, respectivamente. 

Em entrevista ao Wikimetal, o baixista Martín Méndez falou sobre a expectativa dos shows, o reconhecimento da banda ao ganhar o Swedish Grammis em 2025, suas três décadas na formação, a evolução em sua forma de tocar e mais. Martin ainda comentou sobre os próximos passos da banda e que as apresentações no Brasil serão os últimos shows do Opeth no país em “um longo tempo”. Leia na íntegra. 

Wikimetal: No ano passado, vocês se apresentaram na edição de 30 anos do Monsters of Rock Brasil e agora voltam para shows em São Paulo e Curitiba. Quais são as principais diferenças entre tocar em festivais e fazer um show completo?

Martín Méndez: A grande diferença é que será um show mais longo, com certeza. Temos um setlist novo em comparação com o que tocamos lá no ano passado. Vai  ser muito legal fazer o nosso próprio show para vocês. Pelo menos esta será a única vez para este álbum, então vai ser bacana encerrar a turnê inteira aí, porque é justamente a última deste disco, e na América do Sul. Vai ser muito legal. 

WM: Com uma discografia tão extensa e agora as novas músicas, como vocês encontram o equilíbrio certo entre apresentar o material mais recente e satisfazer os fãs de longa data que querem os clássicos? 

MM: Algumas músicas você meio que precisa tocar para agradar à base de fãs que querem ouvi-las, como “Deliverance” e coisas assim. Mas aí tentamos construir o repertório ao redor disso. Nós geralmente fazemos uma dinâmica em formato de V para o show, começando muito pesado e depois descendo, tendo talvez uma balada no meio e depois terminando pesado de novo. Então tentamos encontrar essa energia no setlist, às vezes precisamos testar músicas diferentes, mas essa é a ideia: ter um show dinâmico.

WM: Agora eu quero perguntar sobre “The Last Will and Testament”, porque no ano passado o Opeth ganhou dois prêmios no Swedish Grammis. Como foi para a banda receber esse tipo de reconhecimento por um disco conceitual tão denso, e como você tem sentido o público abraçar essa fase? 

MM: É sempre ótimo receber reconhecimento de qualquer lugar, sabe? Eu não sei se isso significa alguma coisa no final, ganhar um Grammis ou não, mas é uma coisa legal ser reconhecido por algo que você fez. E eu acho que os fãs também veem da mesma forma. É sempre legal ser reconhecido por algo que você fez, mas nós não prestamos muita atenção a essas coisas, na verdade. É legal ter um prêmio, mas é basicamente isso. 

WM: O Opeth sempre teve bateristas excepcionais, com personalidades bem diferentes e desde 2022, o Waltteri integra a formação. Como vem sendo dividir os palcos e o estúdio com ele? O que ele trouxe de novo para a sua sustentação no baixo?

MM: Ele é um baterista incrível. É mais jovem e tem a energia certa para tocar esse tipo de música também. Então ele traz algo novo no que precisávamos, de certa forma. E para mim, como baixista, é uma alegria tocar com ele porque tem sido fácil desde o primeiro dia, sabe. Ele segue o andamento das músicas tão bem, o que torna tudo mais fácil para todos tocarem. Nós soamos muito bem como banda também. Estamos muito satisfeitos com ele. 

WM: Sendo uruguaio e vivendo há décadas na Europa, tocar na América do Sul tem um peso emocional grande. Quando você pisa em palcos sul-americanos, você sente que essa bagagem cultural latina cria uma conexão diferente e imediata com os fãs daqui em comparação aos públicos europeus ou norte-americanos? 

MM: Claro, quando estou na América do Sul eu me sinto um pouco especial. É o lugar onde cresci. Então, sim, para mim é sempre especial ir para a América do Sul e fazer shows lá porque é o continente onde eu cresci. Entendo a cultura, venho ouvindo música da América do Sul a minha vida inteira, então é uma conexão muito forte, com certeza.

WM: Você entrou no Opeth em 1997 e está prestes a completar 30 anos como baixista da banda, sendo o único integrante ao lado do Mikael que fez parte de todas as  mudanças de sonoridade e formação. Olhando para trás, qual foi o momento mais transformador dessa trajetória?

MM: Houve tantos momentos. O que eu posso dizer? Eu me sinto tão grato, tão feliz por ter tido essa oportunidade na minha vida. Eu aprendi muito como músico e como pessoa também. Cresci com essa banda de certa forma porque comecei a tocar lá quando tinha 18 anos e tenho 48 hoje. 

E o que eu realmente gosto no Opeth é que tem sido um crescimento muito lento desde o primeiro dia. Nós nunca tivemos uma grande pausa, brigas ou algo assim, nós sempre fomos crescendo lentamente. E isso eu acho que faz muita diferença, para podermos continuar com os pés no chão de certa forma, então, sim, eu realmente gosto da forma como se tornou.

WM: Você sempre foi conhecido por tocar estritamente com os dedos, mesmo nas seções de metal mais rápidas e pesadas do Opeth. Como a sua técnica física evoluiu ao longo desse tempo para lidar tanto com a agressividade intensa quanto com as passagens progressivas delicadas sem fadiga? 

MM: Sim, eu sempre fui mais familiarizado com os dedos, então nunca tive dificuldades em tocar assim. Por sorte eu tenho uma boa técnica. Mas ultimamente eu comecei a tocar com palheta também, porque acho que me dá um som diferente que não consigo obter com os dedos. Especialmente neste último álbum, eu gravei algumas partes com a palheta. 

E eu realmente gosto porque é como uma técnica diferente também, assim como o som. Mas, eu sempre toquei no fingerstyle, pois amo o som com os dedos, que é mais quente. Acho que você tem mais possibilidades também quando toca com os dedos em termos de técnicas diferentes. Mas, como eu disse, agora também estou adorando tocar com a palheta, então estou atento a todas as técnicas. 

WM: “The Last Will and Testament” conta com o Ian Anderson fazendo narração e tocando flauta, além do Joey Tempest contribuindo nos vocais de apoio. Como é ter esses ícones do rock clássico entrando no mundo sombrio e teatral do Opeth? 

MM: É um pouco irreal, é loucura quando você pensa sobre isso, essas pessoas que venho ouvindo desde que eu era criança, sabe? Foi uma honra ter esses convidados. Nós tivemos no passado também, quando fizemos o álbum Heritage, e tivemos o Alex Acuña, que é um percussionista e baterista que tocou com todo mundo, desde Elvis. Weather Report, Jaco Pastorius, e até o U2. Ele também foi um convidado nosso. Então eu me sinto tão feliz e com tanta sorte de ter essas participações.

WM: Os fãs de metal são notoriamente dedicados, e os fãs do Opeth reverenciam a banda profundamente. Qual é a interação mais memorável ou tocante que você teve com um fã ao longo destes anos? 

MM: Eu não sei se consigo apontar uma coisa só, mas no geral os fãs do Opeth, como você disse, são muito dedicados e eles fazem questão de que você sinta isso, sabe? É muito gratificante quando você visita qualquer cidade e sente essa energia boa de que as pessoas são muito gratas pelo que você faz. E eu acho que isso é lindo, essa é uma das razões, eu imagino, de tocarmos música. Para dar isso e receber de volta essa energia. Acho que essa é uma das coisas mais bonitas de tocar música.

WM: O Opeth já esteve no Brasil 5 vezes, qual foi o momento mais marcante vivido aqui? E o que vocês mais gostam de fazer no país enquanto estão aqui?

MM: Nós vamos a churrascarias ou tentamos ver um pouco da cidade. Realmente amamos estar aí, são pessoas muito amigáveis também. Temos boas memórias no geral, que na maior parte do tempo, o clima está bom. Para nós não é todo dia que estamos no Brasil, então toda vez que vamos, tentamos ver o máximo de coisas que podemos e comer comida boa daí. Nós realmente aproveitamos essas pequenas coisas para ver um pouco da cultura e como funciona.

WM: Sempre gosto de perguntar aos músicos sobre Inteligência Artificial, porque acho que é um tópico muito discutido na música no momento. Gostaria de saber o que você pensa sobre isso. 

MM: Para ser honesto, eu nunca nem tentei, não tenho ChatGPT no meu telefone, então nem sei como funciona. Mas de certa forma, a tecnologia é boa e assustadora ao mesmo tempo. Sempre foi assim, não importa de que época estejamos falando. Quando o CD foi lançado, todo mundo surtou, e depois veio o digital. Você pode obter coisas positivas dos avanços da tecnologia. Vai levar tempo para usar a IA da maneira certa. Mas no começo é sempre difícil, pois as pessoas não sabem exatamente o que fazer com ela. 

Mas acho que vai ser bom para certas coisas, mas não acredito muito que vá tomar conta da música, por exemplo, ou coisas assim. Penso que todos querem pessoas tocando música e não um robô, porque aí você perde a emoção e tudo. Mas não sei, é um futuro incerto. Não sabemos o que vai acontecer, mas acho que vai ser ótimo para algumas coisas e ruim para outras. 

WM: Vocês já estão compondo ou discutindo ideias para um novo álbum? O que os fãs podem esperar do Opeth depois que essa turnê terminar? 

MM: Geralmente quando estamos em turnê nós não escrevemos música. Nós temos conversado sobre isso, e vamos descansar depois que esta turnê acabar. Teremos alguns meses para nos recuperarmos de toda a turnê e conseguir recuperar a energia. Imagino que faremos algo no final do ano que vem ou talvez em 2028. A ideia é fazer um novo álbum, mas não sabemos ainda, não começamos a escrever nada por enquanto. Então vamos ver.

WM: Para encerrarmos, qual mensagem o Opeth gostaria de mandar aos fãs brasileiros antes dos shows?

MM: Adoraria convidar todo mundo para vir nos ver em qualquer um dos shows no Brasil. Como eu disse, esta é a última vez que estaremos por aí por um longo tempo pelo menos, pois vai levar alguns anos até voltarmos. Então vai ser muito legal ver vocês lá e encerrar essa turnê com vocês juntos. Vai ser uma noite incrível, então espero ver vocês lá. Vamos nos divertir 

LEIA TAMBÉM: Bangers Open Air 2027: Saiba quando será anunciado o line-up completo

Tags: opeth

Vitor Melo

Atual repórter do Wikimetal, estudante de Jornalismo e fã de metal, em especial Iron Maiden, banda que já viu 3 vezes, acompanha desde os 12 anos e sonha assistir um show em Londres. Sempre gostou de escrever e encontrou no jornalismo musical a sua vocação. Seus principais ídolos são Steve Harris, Adrian Smith e Ozzy Osbourne. [email protected]

Fonte: WikiMetal