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Marty Friedman comenta shows no Brasil: “Tenho um sentimento brasileiro muito forte”

Marty Friedman , ex-guitarrista do Megadeth , traz ao Brasil a turnê Live Drama na quarta-feira, 11 de novembro, no Manifesto Bar, em São Paulo , e na quinta-feira, 12, no Jokers, em Curitiba . Os ingressos para as duas datas estão à venda pelo Clube do Ingresso. A abertura das d

Por WikiMetal 13 horas atrás
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Marty Friedman comenta shows no Brasil: “Tenho um sentimento brasileiro muito forte”

Marty Friedman, ex-guitarrista do Megadeth, traz ao Brasil a turnê Live Drama na quarta-feira, 11 de novembro, no Manifesto Bar, em São Paulo, e na quinta-feira, 12, no Jokers, em Curitiba. Os ingressos para as duas datas estão à venda pelo Clube do Ingresso. A abertura das duas noites fica com o ASTERISM, trio japonês formado por HAL-CA (guitarra), MIYU (baixo) e MIO (bateria).

A turnê é baseada no álbum Drama, lançado em maio de 2024, e também celebra os 34 anos de Scenes, segundo disco solo do guitarrista, de novembro de 1992. Friedman vem acompanhado de sua banda japonesa, com Naoki Morioka na guitarra, Wakazaemon no baixo e Chargeeeeee na bateria.

Em entrevista ao Wikimetal, o músico que volta ao país depois da turnê ao lado de Kiko Loureiro em 2025, agora trazendo pela primeira vez a sua própria banda, adiantou que vai tocar Scenes inteiro nos shows brasileiros. Friedman também falou sobre a parceria com o ASTERISM, a homenagem a Jason Becker no encerramento das apresentações, o interesse pela música brasileira e as músicas novas que está compondo.

WIKIMETAL: No ano passado, você fez uma turnê pelo Brasil com o Kiko Loureiro. Agora vem com a sua própria banda e as suas próprias músicas. Como é voltar liderando a sua banda?

Marty Friedman: Bom, esta vai ser a primeira vez que eu levo a minha banda ao Brasil. É muito empolgante. Já fui à América do Sul muitas vezes, mas nunca ao Brasil com a minha banda. E eu sempre tive uma conexão muito grande com o Brasil. Depois da turnê com o Kiko, sinto que tenho mesmo um sentimento brasileiro muito forte agora, porque tocamos em todo tipo de cidade, eu toquei música brasileira, e sinto algo à parte, um sentimento muito novo. Eu queria compartilhar isso com a minha banda japonesa. Queria apresentar o povo brasileiro à minha banda japonesa, e esta é a primeira vez que vamos fazer isso. É muito empolgante, e eu estou muito animado de estar aí com a minha banda do Japão.

WM: Você já está há alguns anos com esses músicos japoneses. O que eles trazem para o som ao vivo e como vocês interagem no palco?

MF: O principal que você vai notar é que as pessoas me veem como “o cara da guitarra”, ou algo assim, mas, quando você vê a minha banda, não é um cara só com um monte de músicos de apoio. É uma banda completa, e cada pessoa nela se destaca igualmente. Claro, as músicas são minhas e eu toco muitas das partes principais de guitarra, mas cada pessoa na banda é um membro de verdade. Você vai perceber que é como assistir a uma banda com vocalista, e eu sou o vocalista na guitarra. Isso é algo muito único que a minha banda traz.

WM: O setlist também tem versões de músicas japonesas, que a maior parte do público de fora do Japão nunca ouviu. Como você vê a reação a essas músicas?

MF: É diferente em cada país. Na maioria das vezes, as pessoas fora do Japão acham que é uma música minha: “Ah, que ótima música nova do Marty”. Mas não é. Eu gosto de falar sobre as músicas que vou tocar: “Esta é uma música muito famosa no Japão, vocês talvez não a conheçam no Brasil”. E aí a tocamos. Estou muito curioso para saber o que o público no Brasil vai achar quando eu tocar músicas japonesas. Sei que existe uma influência japonesa muito grande no Brasil, então acho que muito mais gente no Brasil vai conhecer essas músicas japonesas famosas do que em outros países. Mas, sabe, se eu conseguir abrir a cabeça das pessoas para novas experiências, fico muito feliz.

Drama e Scenes, um lado diferente de sua musicalidade

WM: No seu álbum mais recente, Drama, a guitarra assume o papel da voz principal. Como é o seu processo de composição nesse caso?

MF: Eu tento compor peças sinfônicas, orquestrais, em que a minha guitarra solo possa fazer o papel do vocalista, exatamente como você disse. E isso é algo muito natural para mim, porque, acredite se quiser, eu não sou muito fã de música instrumental. Preciso de um cantor para manter o meu interesse. Então, quando estou compondo, estou sempre pensando em como a banda vai acompanhar o vocalista, como numa música pop, de metal, de jazz ou qualquer coisa que tenha cantor. Penso do mesmo jeito, só que a minha guitarra é o cantor. Aí acaba ficando algo um pouco único.

WM: Drama tem violino, piano e outros elementos orquestrais. Como você leva esse som para o palco com uma banda de quatro integrantes?

MF: Na verdade, vamos levar cinco integrantes ao Brasil, porque, como você disse, há muitos elementos orquestrais: muitas cordas, violoncelos, violinos. A orquestra inteira está no álbum. Mas vamos levar a tecladista que tocou no álbum Drama, e ela faz todos esses sons a partir do sintetizador e da estação de teclados dela. Então vai ser um som muito rico, que eu nunca fiz fora do Japão com a minha banda. E, claro, vamos tocar o álbum Scenes inteiro no Brasil, e ele tem muitos pads orquestrais exuberantes e muitas daquelas coisas atmosféricas. A tecladista vai tornar isso realidade. E sim, com certeza é um som novo para nós tocarmos ao vivo.

WM: Em Scenes, você trocou a distorção por timbres limpos na maior parte das músicas. Quando o disco saiu, você estava no Megadeth, que tinha acabado de lançar Rust in Peace e Countdown to Extinction. O que você lembra da gravação e como conciliava o trabalho solo com a banda?

MF: O motivo de Scenes ter saído do jeito que saiu, como você disse, com guitarras muito limpas e uma música orquestral bem romântica, foi que no Megadeth a gente tocava heavy metal pesado todas as noites. Uma das melhores bandas de heavy metal do mundo de todos os tempos. Quando chegou a hora de fazer um álbum solo, não era necessário fazer mais metal, porque eu estava muito satisfeito com o que fazíamos no Megadeth. Foi a chance de mostrar um lado diferente da minha musicalidade. Como você vai superar o Megadeth, entende? Não fazia sentido tentar algo parecido, então Scenes virou o oposto do Megadeth.

Mas acho que, principalmente na América Latina, os fãs de heavy metal também têm um coração romântico, talvez mais do que em outros países. Possivelmente é por isso que Scenes e álbuns como Drama agradam tanto o público da América do Sul: as pessoas cresceram com muita música apaixonada e romântica, o que nos Estados Unidos não aconteceu tanto. Então Scenes saiu daquele jeito porque eu estava detonando no Megadeth.

WM: “Angel”, uma das músicas desse disco, voltou ao setlist. Como é tocar hoje uma música que você compôs há mais de 30 anos?

MF: Não só “Angel”: vamos tocar o Scenes inteiro no Brasil. E isso é muito estranho, tenho que te dizer, porque sei que muita gente na plateia cresceu com esse álbum e viveu a vida ao som dele. Ele significa coisas diferentes para cada pessoa, então não quero mudar muito. Quero tocar mais ou menos do jeito que ele é, e para isso preciso pensar em como eu tocava 34 anos atrás, quando eu era uma pessoa completamente diferente. Tem sido muito divertido me preparar para isso. Também vamos tocar músicas novas, do jeito que eu toco hoje.

Acho fantástico poder olhar para trás e não tentar mudar nada. Sinto que a guitarra em Scenes é muito primitiva, mas ela está ali e vai ser assim para sempre. Então, ao vivo, vou tentar ser o mais fiel possível àquela versão. Vocês é que vão julgar. Nunca se sabe o que vai acontecer quando eu estiver na frente do público, pode ficar uma loucura.

Show no Brasil e planos futuros

WM: O ASTERISM vai abrir os shows no Brasil. O que você viu neles e o que essa geração mais jovem tem te ensinado?

MF: Eu adoro o ASTERISM. Eles me impressionam em tudo o que fazem. Fizemos muitos trabalhos juntos no Japão, várias colaborações, compusemos uma música juntos, e eu queria apresentá-los ao público do Brasil e da América do Sul, porque acho que as pessoas precisam ver o que está acontecendo. É uma banda muito jovem, com um talento e uma energia imensos, e eles são muito carismáticos. Trazê-los para a América do Sul vai ser um presente para todo mundo.

O que eles me ensinaram foi algo que eu já sabia: quem é jovem e tem fome é muito mais divertido e interessante do que alguém velho que só vive do passado. Você tem que continuar crescendo. Sou mais velho que eles, claro, mas continuo exatamente com a mesma fome pela próxima coisa que estou tentando fazer. Vejo que muitos músicos mais velhos perdem isso e ficam acomodados. Tive muita sorte de trabalhar com gente muito jovem na minha banda há décadas, e isso me mantém faminto e cheio de adrenalina. Aprendi isso não só com o ASTERISM, mas com a minha própria banda.

WM: Os integrantes da sua banda também são bem mais jovens.

MF: Sim, eles estão na casa dos 20 anos.

WM: Antes do Megadeth, você e o Jason Becker gravaram Speed Metal Symphony e Go Off! com o Cacophony. Hoje, você encerra os shows com “For a Friend”, dedicada ao Jason. O que significa terminar os shows com essa música?

MF: Toda pessoa tem alguém especial na vida, e para mim é o Jason. Só existe um Jason. Muita gente que apoia a mim e à minha música também é fã dele, então eu gosto de ter um momento em que todos possamos celebrar o Jason juntos. É isso que esse momento é.

WM: Depois de Drama, para onde a sua música está indo? Já há algo novo sendo composto?

MF: Ainda tenho muita turnê de Drama pela frente, com vários países que vão ser anunciados em breve. É uma turnê mundial longa porque eu faço muitas coisas no Japão. Não é como aquelas turnês em que você passa um ano inteiro na estrada. Faço um mês aqui, um mês ali, umas duas semanas aqui, outras duas ali, mas vamos chegar a todo mundo. Vou continuar em turnê com Drama até meados de 2027. Mas também estou compondo música nova, e está indo muito bem, só que devagar, por causa de toda a turnê e do trabalho. Se você gosta de Drama ou de Scenes, acho que a música nova vai ser uma versão mais evoluída disso. É o que sinto que está saindo.

WM: Você se aprofundou muito na música japonesa. Tem algo na música brasileira que chama a sua atenção ou que você gostaria de conhecer melhor?

MF: Com certeza. O Kiko me mostrou muita coisa quando tocamos juntos. Acho os ritmos muito interessantes, e muitas melodias também. Teve uma música chamada “Asa Branca”, com um arranjo muito bonito feito por um músico brasileiro famoso, e isso me levou a aprender mais sobre música brasileira. Quando a turnê no Brasil terminou, eu sentia que sabia muito mais do que antes, e gosto muito. Todo mundo sabe que sou muito fã de Astor Piazzolla, então muita gente no Brasil me dizia “se você gosta disso, vai gostar disto” e me deu ideias de músicas. Tem sido uma experiência de aprendizado maravilhosa.

WM: Para fechar, uma mensagem para os fãs que vão aos seus shows no Brasil?

Marty Friedman: Tenho uma grande mensagem para todos os meus fãs brasileiros maravilhosos: Brasil, vocês são do c#ralho! [Marty respondeu em português]

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Gabriel Oliveira

Jornalista Musical e Assessor de Imprensa. Redator no Wikimetal, onde entrevista lendas e ícones da música, com um vasto portfólio.

Fonte: WikiMetal