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Dream Theater faz show memorável em São Paulo

Por Sempre um rock 17/12/2024
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Dream Theater faz show memorável em São Paulo

A fila era enorme e estava repleta de fãs de várias gerações, ansiosos para celebrar a tour de 40 anos da banda americana Dream Theater. Dentre os muitos destaques da noite, o retorno de Mike Portnoy, velho conhecido e dono das baquetas desde a fundação em 1985 até o ano de 2010, alimentava o frenesi do público. Com a devida pontualidade característica da banda,
as luzes se apagaram, e a abertura do show se iniciou com a música Prelude, do compositor
cinematográfico Bernard Herrmann, trilha do filme Psicose de 1960.

Para o delírio de quase 7.000 pessoas, o biombo que cobria o palco subiu, e os fãs foram premiados com um grande hit da banda, “Metropolis Pt I”. De cara, já sabíamos que se tratava de uma banda lendária, não só pela qualidade dos músicos (nos vocais, James Labrie – na guitarra, John Petrucci – no baixo, John Myung – nos teclados, Jordan Rudess), mas também
pela extrema competência em entregar um som que beira a perfeição ao vivo. O resultado foi a catarse de um público cantando em uníssono desde o início. A sequência empolgou com duas músicas do álbum “Metropolis Pt. 2: Scenes from a Memory” – “Overture 1928” e “Strange Déjà Vu” – saciando o desejo de muitos que tinham curiosidade de ouvir essas três músicas na
mesma sequência.

Com a plateia já aquecida, o riff que parece pesar uma tonelada ecoou e fez vibrar a casa. Era “The Mirror”, do disco “Awake” de 1994, que desta vez contou em seu encerramento com o solo de “Lie”, também do mesmo disco, outra sequência que os fãs mais minuciosos desejavam há tempos.

John Myung é um sujeito pacato dentro e fora do palco, porém foi capaz de criar os riffs debaixo mais emblemáticos no mundo do Prog Metal, e foi com um desses riffs que eleapresentou “Panic Attack”, do disco “Octavarium” de 2005. Que sequência poderosa!Como seriam as linhas do antigo baterista Mike Mangini nas mãos de Portnoy? “Barstool Warrior”, do álbum “Distance Over Time” de 2019, chegou para sanar essa dúvida. Pela reação do público, a escolha dessa música em específico foi acertada.

Momento para recuperar o fôlego e curtir a lindíssima balada “Hollow Years” na versão demo de 96, algo diferente, mas que também conta a história da banda. Destaque para James Labrie, que mudou a maneira de executar a música, cantando em regiões mais graves em alguns momentos, porém sem perder a essência que o consagrou. “Constant Motion”, do álbum “Systematic Chaos” de 2007, trouxe à tona todo o carisma e o entrosamento que Mike Portnoy fornece ao Dream Theater. Seu dueto com Labrie nos vocais e sua interação precisa com os riffs de Petrucci nos fizeram sentir alegria pela volta do baterista.
Para finalizar o primeiro ato, a pedrada “As I Am”, do disco “Train of Thought” de 2003, mostrou que o repertório grandioso de sucessos que a banda lançou fidelizou uma legião de fãs fiéis, mas também consagrou todos os músicos que passaram pela banda como referências em seus instrumentos. Destaque aqui para Jordan Rudess, que abusou dos recursos em um
solo de muita técnica e um dueto perfeito com John Petrucci.

A banda é famosa por seus shows do tipo “An Evening With”, que geralmente duram 3 horas.
Então, foi feito um intervalo para começar o segundo ato. O segundo ato começou com a “Orchestral Overture”, que repassou vários clássicos da bandae foi feita especialmente para esta tour. Com o final desta faixa, foi iniciado o primeiro single “Night Terror”, do álbum a ser lançado no ano que vem, “Parasomnia”. Era óbvio que a música já havia caído nas graças da galera, quando todos cantaram em uníssono no refrão. Em seguida, mais uma música da fase Mangini: “This is the Life”, com James explicando a letra antes da música. Logo após, voltamos no tempo para acompanhar o clássico “Under a Glass Moon”, do segundo álbum do quinteto.

Depois, tivemos três faixas que, embora não sejam tão mainstream, são bem importantes na carreira da banda: “Vacant”, “Stream of Consciousness” (do “Train of Thought”, de 2003), e, então, o destaque ficou todo com Jordan Rudess por mais ou menos quatro minutos, abrindo a maior faixa do show: “Octavarium”, de 24 minutos, a faixa que encerra o álbum que leva o
mesmo título. E que execução! Não é à toa que eles lotam os shows por onde passam, tudo sendo executado nota por nota, exatamente como o fã de prog metal aprecia.

Brincadeiras à parte, a banda fez uma referência ao filme “O Mágico de Oz” quando passaram o clipe de “There’s no Place Like Home”, simbolizando tanto o retorno de Mike ao seu posto original na bateria quanto a introdução para “Home”. Então, uma das baladas mais importantes e emocionantes da carreira da banda: “The Spirit Carries On”, com milhares de lanternas iluminando o ambiente e as primeiras notas de Labrie ao iniciar a música. O vocalista mal precisou cantar o refrão.

Para fechar, não poderia ser outra senão o maior hit da banda: “Pull Me Under”. Quando as primeiras notas soaram na guitarra de John Petrucci, o público começou a pular e cantar com a banda novamente, transformando o encerramento em um momento cheio de emoção para esse show em São Paulo. Essa foi a tour de volta do baterista original, Mike Portnoy. Mas, com o lançamento do novo álbum previsto para fevereiro de 2025, é possível que tenhamos uma nova passagem do Dream Theater por aqui, com outra “Evening With” e focando no álbum novo. Pode ter certeza de que o público brasileiro vai lotar os espaços mais uma vez!

SET LIST:
Parte 1
Intro: Prelude [Bernard Herrmann]
1. Metropolis Pt. 1: The Miracle and the Sleeper
2. Act I: Scene Two: I. Overture 1928
3. Act I: Scene Two: II. Strange Déjà Vu
4. The Mirror
5. Panic Attack
6. Barstool Warrior
7. Hollow Years
8. Constant Motion
9. As I Am

Intervalo

Parte 2
Intro: Orchestral Overture
10. Night Terror
11. Under a Glass Moon
12. This is the Life
13. Vacant
14. Stream of Consciousness
15. Octavarium

Bis
Intro: Cena de “O Mágico de Oz”
16. Act II: Scene Six: Home
17. Act II: Scene Eight: The Spirit Carries On
18. Pull Me Under
Outro 1: Singin’ In The Rain [Gene Kelly]

Por: Edu Sabino – Portal SEMPRE UM ROCK
Fotos: Pam Gaiguer – Fotógrafa SEMPRE UM ROCK