Rush, uma das maiores bandas de rock progressivo da história, retorna ao Brasil para 6 shows de sua turnê de reunião Fifty Something entre janeiro e fevereiro de 2027 — ingressos à venda no site da Eventim.
Acompanhados por Anika Nilles, Alex Lifeson e Geddy Lee virão ao país pela terceira vez na história do grupo para celebrar o legado do saudoso e inigualável baterista Neil Peart. Contudo, a primeira passagem do trio por terras brasileiras em 2002, que promoveu o álbum Vapor Trails, rendeu uma apresentação emblemática no Estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro, bem como a gravação de um dos discos ao vivo mais aclamados do rock: Rush In Rio, lançado em 2003.
Show não seria gravado no Brasil, mas sim nos Estados Unidos
Originalmente, o plano da banda era registrar o material da turnê durante o show realizado no cassino Mohegan Sun, em Connecticut, nos Estados Unidos, no dia 8 de novembro, mas impasses contratuais de última hora sobre os direitos de imagem cancelaram a gravação, deixando a equipe responsável com apenas 12 dias para transferir toda a estrutura para o último show da turnê, no Maracanã, em 23 de novembro.
No entanto, ao chegar ao Brasil, a equipe de produção descobriu que apenas metade da infraestrutura prevista existia no local, transformando os quatro dias que antecederam o show em “puro pânico”, conforme descreveu o diretor Larry Jordan. Sem ter uma sala de controle de vídeo adequada, foi preciso adaptar uma dentro de uma caçamba de lixo, usando uma motosserra para abrir as janelas.
Rush subiu ao palco sem realizar passagem de som
Na noite anterior, o grupo tocou no Estádio do Morumbi, em São Paulo, fazendo com que, no dia do show, os atrasos logísticos entre as cidades deixassem a equipe com poucas horas para montar o palco. Os portões foram abertos ao público com três horas de atraso; houve cabos de áudio que pegaram fogo durante a tarde e, faltando apenas 30 segundos para a gravação começar, técnicos ainda tentavam prender cabos com fita adesiva [via Rush Brasil].
Segundo Alex Lifeson, a banda precisou subir sem realizar passagem de som: “Subimos completamente frios. Aquilo que normalmente era um ambiente muito confortável para nós no palco, de repente, se transformou num lugar extremamente agitado e tenso.”
40 mil pessoas cantaram melodias e partes instrumentais das músicas
Naquele dia, tudo apontava para ser um desastre técnico, mas o que publico de 40 mil pessoas fez ao decorrer da apresentação, não apenas entrou para a história do grupo, bem como reescreveu a relação do Rush com seus fãs. A principal surpresa veio quando a platéia não apenas cantou as letras em inglês, mas sim as melodias e os riffs das partes instrumentais, especialmente o icônico coro em “YYZ”.
“Tínhamos todos aqueles brasileiros que não falavam muito inglês cantando cada palavra de cada música e até cantando durante as partes instrumentais. Aquilo simplesmente explodiu nossas cabeças. É uma coisa incrível de assistir. Houve momentos em que fiquei com um nó na garganta. Ver o público cantando e conseguir ouvir, mesmo através dos meus monitores de ouvido, o quanto eles estavam cantando alto”, contou o guitarrista.
Neil Peart quase desistiu da música
Também naquela noite, Neil apresentou um solo de bateria de quase nove minutos que foi batizado no álbum com o título em português de “O Baterista”. Muito mais que um simples show, a data final da Vapor Trails Tour encerrou uma turnê que marcou o retorno do Rush após um hiato de cinco anos longe dos palcos.
Nesse período, entre 1997 e 1998, Peart havia perdido a filha (em um acidente de carro) e a esposa (para o câncer) em um intervalo de apenas dez meses, tragédias que fizeram com que ele considerasse seriamente abandonar a música para sempre.
Em 22 de novembro de 2002, o público brasileiro abraçou e resgatou o Rush logo após o grupo passar por uma dos períodos mais tristes de toda a sua carreira.
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Fonte: WikiMetal
